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Pôr do Sol em Barra Grande - península de maraú

A Vanessa me falou que eu tinha que ir para Taipu de Fora. Que era lindo, que era divino maravilhoso. Como ela tem muito bom gosto eu fui na dela.

Só que não era nada disso, era melhor! Pra usar um termo bem clichê, o lugar é mágico.

Em um dia 5 pessoas se tornaram amigas e viveram um dia perfeito. E dois dias depois todos se foram e talvez nunca mais se encontrem.

Barra Grande

Taipu de Fora é uma praia na península de Maraú, Bahia. Fiquei em um hostel em Barra Grande, na ponta da península. Para chegar até lá por Camamu, só tem duas opções: lancha rápida ou barco.

Como não estava com pressa fui de barco e já tive meu primeiro passeio. O barco deslizava pela baía tranquilo e suave e nem mesmo o barulho do motor incomodava.

Ao contrário da lancha rápida, que peguei para voltar que vem batendo e não dá tempo de apreciar a paisagem.

Cais de Camamu
Saindo do cais de Camamu
Barra Grande
Chegada em Barra Grande

Chegando no hostel já conheci uma grande figura: Gonzalo. Um argentino que vive há 2 anos no Brasil e está morando e administrando o hostel.

Esse cara tem sotaque e cultura argentina, malícia brasileira e preguiça baiana (minhas desculpas aos baianos que se ofendem, para esses considerar o termo descansado, que um baiano usou pra descrever a preguiça dos baianos).

Foi hilário ouvi-lo contando as histórias dele na Bahia com aquele sotaque portunhol. Na primeira tarde fui correndo ver o pôr do sol em Barra Grande, é impossível que qualquer foto seja fiel aquilo.

Somente com seus próprios olhos é possível deslumbrar de verdade aquele céu. E o mais impressionante é que todo dia ele é diferente.

Pôr do sol Barra Grande - Maraú
Pôr do sol para casais
Pôr do Sol em Barra Grande - Maraú
Pôr do sol para todos

No primeiro dia não calhou de alguém pra fazer um passeio comigo então decidi caminhar até a praia de bombaça. Foram longas e agradáveis horas com vistas deslumbrantes, praias desertas e reflexões. Praticamente uma terapia.

 

Me, myself and I
Me, myself and I

Ilha da Pedra Furada

No dia seguinte resolvi fazer o passeio das ilhas. Uma escuna nos levaria a 5 ilhas, onde poderíamos apreciar a paisagem e nadar.

Nesse passeio fui adotado por uma família, pessoal bacana, mas estavam tão ligados neles mesmos que não conseguiam apreciar o lugar.

Estavam tipo num fast food de praias, contabilizando e contando os minutos pro almoço. Almocei com eles uma bela muqueca e voltei pro hostel.

Ilha de Pedra Furada
Ilha de pedra furada

O dia perfeito

Tem dias na nossa vida que são perfeitos. E lembramos deles até a nossa morte. Não são marcados por eventos importantes como o nascimento de um filho. Isso é um momento inesquecível.

O dia perfeito é aquele dia despretensioso que quando termina se tem uma sensação de felicidade plena.

Um dos meus dias perfeitos foi quando estava com a minha família no Sesc Bertioga, tivemos um dia maravilhoso e resolvemos jogar tênis. Éramos tão péssimos que foi hilário. Pois esse foi meu dia perfeito em Maraú.

Na noite do meu passeio das ilhas, chegou uma galera nova e combinamos de irmos juntos a Taipu de Fora. Na manhã seguinte fomos:  eu, a canadense Gabriela, o espanhol Mikael e a namorada dele Cecília, uma franco brasileira mezzo negra baiana, mezzo francesa de uma beleza que só as misturas podem fazer. O curitibano Heraldo quis ir a pé, disse que nos encontraria lá.

Andamos pela praia e ficamos a sombra de um coqueiro. Nadamos nas águas cristalinas de Taipu, nos sentamos embaixo do coqueiro, começou uma chuva fininha e ninguém se preocupou com isso.

Estava quente e uma chuvinha refrescante ia bem. Fui ver com uns caras que alugam equipamentos de mergulho se a maré ia baixar mais, pra aproveitar as piscinas naturais.

Além da maré não baixar o preço do aluguel dos equipamentos era absurdo. Quando contei ao Mikael ele me disse que tinha óculos e snorkel e que emprestaria. Já era mais de uma da tarde e ninguém reclamou de fome.

A Cecília dividiu seu pacote de bolacha e foi o nosso almoço. O Heraldo chegou mais ou menos essa hora. Ficamos conversando e fomos até o melhor local pra mergulho.

O Mikael me emprestou seus óculos e snorkel e foi a primeira vez que vi corais cheios de peixes coloridos num mergulho. Foi sensacional! Depois os outros mergulharam, todos pela primeira vez, foi uma empolgação geral.

Voltamos pra Barra Grande pra ver o pôr do sol. O Heraldo acendeu um baseado e todos fumamos como num ritual ancestral que nos unia para contemplar algo muito maior que nós.

Pôr do Sol em Barra Grande - Maraú
Poder da natureza!
Pôr do Sol em Barra Grande - Maraú
Boas vibrações

No hostel fizemos um rango rápido quando o Gonzalo vem pra fechar o dia perfeito.

– Amigos ahora voy a acender um beque. Se quieres fumar?

E se lo aciendió e nosotros fumamos el beque. Agora imaginem como não foi hilário, todos fumados, ouvir um argentino, anarquista, com um portunhol arrastado, contando as peculiaridades dos brasileiros, em especial dos baianos. Deveria ter gravado mas tava muito louco pra pensar nisso. Uma das que me lembro:

– Los brasileños trabajam segunda, terça, quarta, quinta, sexta e sábado até mejo dia. E folgam no domingo.

– Sí?! Ficou meio espantado o Mikael. Pra quem mora na França, realmente nossa carga horária é grande. Seguiu o Gonzalo.

– Pero na Bahia si tem terça, quarta, quinta, sexta, sábado, domingo e dominguinho!

– Dominguinho? Até eu queria saber o que era isso.

– No domingo, hacem churras, bebem, dançam e aí na segunda tienem que trabajar. Bueno, si tienes que trabajar, hamos a trabajar, pero chegam atrasados o trabajam uns vientie por ciento do que poderiam. Entom esse dia no és de trabajo e nem um domingo completo, és um dominguinho.

No dia seguinte rolou o mesmo clima de cumplicidade, andamos na praia, comemos muqueca num restaurante simples, corremos na chuva na volta pro hostel.

De noite o Gonzalo fez um nhoque delicioso. E na manhã seguinte como num conto de fadas de chapados, cada um foi para o seu lado e nunca mais se viu.

Maraú
Na frente a canadense Gabriela, a esquerda o curitibano Heraldo, o espanhol Mikael a direita e a franco-brasileira Cecília ao centro. O paulista tirou a foto.

Próxima parada: Aracaju

 

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